se a ti te parece verdade
então quem sou eu para negá-la?
se a ti te parece brilhante
e eu apenas pedra bem polida
então quem sou eu para merecê-la?
se a ti te parece poema de amor
bobagem sobre o cheiro da chuva e a cor da flor
quem sou eu para desmenti-la?
se a ti te parece que goteja durante a noite
e o orvalho se confunde com o sereno
quem sou eu para desdizê-la?
se a ti te parece multidão
e eu vejo apenas um punhado de gente a esperar o semáforo
quem sou eu para corrigí-la?
a mim cabe apenas ligar a tv,
consolar-te quando desdita
ajudar-te quando corrigida
conformar-te quando negada
para talvez
aceitar-te quando merecê-la
mesmo sendo por meio
destes versos de falsa beleza e pronominal burrice